Comparar o solo residual de gnaisse do bairro Tristeza com os colúvios saturados da Lomba do Pinheiro é um exercício constante na nossa rotina de campo. Em Porto Alegre, a transição entre o maciço cristalino e os depósitos sedimentares do Guaíba cria condições geotécnicas radicalmente distintas em poucos quilômetros. Uma encosta estável na Zona Sul não replica o mesmo comportamento de um talude de corte na Zona Leste, onde a espessura do solo superficial frequentemente ultrapassa os 8 metros. Ignorar essa variabilidade geológica na fase de projeto é a origem da maioria das patologias que encontramos. A boa prática exige integrar a sondagem SPT com parâmetros de resistência ao cisalhamento obtidos em laboratório, calibrando o modelo constitutivo para a realidade local. Complementamos essa caracterização preliminar com o ensaio triaxial em amostras indeformadas quando o horizonte de ruptura potencial está abaixo do nível d'água, e com a permeabilidade in situ para quantificar a real taxa de infiltração que dispara os mecanismos de instabilização durante as chuvas de verão.
Em Porto Alegre, a sucção matricial no solo não saturado sustenta taludes com inclinação superior a 60 graus, mas sua perda durante chuvas intensas reduz o fator de segurança para valores críticos em menos de 48 horas.
