A planície aluvionar do Guaíba molda o subsolo de Porto Alegre de um jeito que poucas capitais brasileiras experimentam: camadas espessas de argila mole e siltes orgânicos se estendem por dezenas de metros, com o nível d'água frequentemente aflorando a menos de 1,5 m da superfície. Quem projeta túneis nesse ambiente lida com um material de baixíssima resistência não drenada, tipicamente entre 15 e 30 kPa nos horizontes mais plásticos da formação Guaíba. O comportamento reológico desses depósitos, somado à sensibilidade da estrutura do solo, transforma cada frente de escavação em um exercício contínuo de controle de recalques. Empreitadas recentes na zona norte da cidade, próximas ao Aeroporto Salgado Filho, reforçaram a necessidade de prever o fenômeno de fechamento gradual da seção (convergência) antes mesmo da instalação do suporte. Para caracterizar esse cenário, o laboratório combina sondagens rotativas com o ensaio CPT em perfis onde a estratigrafia muda a cada metro, permitindo leituras contínuas da resistência de ponta e do atrito lateral sem perturbar a amostra.
Em Porto Alegre, a argila mole da planície do Guaíba impõe convergência precoce na escavação e exige análise acoplada de fluxo e deformação.
