A alternância entre verões com precipitações intensas e invernos que saturam as argilas orgânicas da Depressão Central do Rio Grande do Sul exige um dimensionamento criterioso do pavimento. Em Porto Alegre, cidade com 1,4 milhão de habitantes e situada sobre a Bacia Sedimentar do Paraná, os solos residuais de arenito e os depósitos aluvionares do Lago Guaíba impõem desafios de capacidade de suporte e drenagem que afetam diretamente a vida útil da estrutura. Um projeto de pavimento flexível conduzido sem a devida caracterização do subleito local frequentemente resulta em deformações permanentes prematuras, trincas por fadiga e custos de manutenção que superam em até três vezes o investimento inicial. Nossa abordagem integra a caracterização geotécnica do subleito com sondagens SPT para identificar camadas compressíveis e o ensaio CBR viário para determinar a resistência do solo de fundação, permitindo definir espessuras de camadas granulares e revestimento asfáltico que resistam aos ciclos de carga e às variações sazonais de umidade típicas do clima subtropical úmido de Porto Alegre.
Em Porto Alegre, desprezar a variabilidade sazonal do subleito argiloso significa aceitar um risco de 60% de trincamento precoce antes da metade da vida útil projetada.
